RODA DE CONVERSA NA UnB DEBATE RECONHECIMENTO SO NOTÓRIO SABER DE MESTRES E MESTRAS DE CAPOEIRA
- Pai Marcelo de Xangô

- 7 de mar.
- 2 min de leitura

No último dia 5 de março, a Sala Jongo (110C), localizada no prédio da Finatec/UnB (Universidade de Brasília), foi palco de uma importante mobilização em defesa da capoeira, reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro. O encontro reuniu mestres, pesquisadores, gestores culturais e integrantes da comunidade capoeirista para a Roda de Conversa sobre o Reconhecimento do Notório Saber dos Mestres e Mestras de Capoeira.
O evento teve como objetivo central discutir e propor políticas públicas que assegurem o reconhecimento institucional dos saberes transmitidos pelos mestres e mestras de capoeira ao longo de gerações. A iniciativa busca criar caminhos para que esses guardiões de conhecimentos ancestrais possam atuar formalmente em espaços de ensino, como escolas e universidades, sem que a ausência de titulação acadêmica tradicional seja uma barreira.
Educação, Cultura e Justiça Histórica
Durante o debate, foi ressaltado que o título de Notório Saber pode funcionar como uma ponte entre a tradição oral da capoeira e o sistema educacional formal. A proposta contribui para o enfrentamento do racismo institucional, ao mesmo tempo em que fortalece a implementação de legislações importantes, como a Lei 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras.
Ao reconhecer oficialmente o conhecimento produzido nos terreiros, nas rodas e nos espaços comunitários, abre-se espaço para uma educação mais plural, inclusiva e conectada com as matrizes culturais do país.
Metodologia e participação
A roda de conversa contou com a presença de três expositores especialistas, entre mestres de referência da capoeira e gestores de políticas públicas, além de um mediador responsável por conduzir o diálogo com o público presente. O formato permitiu uma troca direta de experiências, reflexões e propostas entre participantes da comunidade capoeirista e representantes ligados à formulação de políticas culturais e educacionais.
A expectativa dos organizadores é que o encontro fortaleça a articulação entre a capoeira e as instituições públicas, ampliando o reconhecimento e a valorização dos mestres e mestras como educadores e produtores de conhecimento.
“Reconhecer o Notório Saber é validar que a universidade da vida, do terreiro e da roda produz ciência e pedagogia tão legítimas quanto as dos livros”, afirmou Mestre Paulão Kikongo, um dos proponentes da atividade.
Realização
A iniciativa foi realizada por uma ampla rede de organizações comprometidas com a valorização da capoeira e da cultura afro-brasileira, entre elas:
Pontão de Cultura UBUNTU
Kilombarte
Museu Vivo de Arte e Cultura da Capoeira
Universidade da Capoeira
Federação Maranhense de Capoeira
Coletivo Cultural A Capoeira na Escola
Instituto Cultural Minas Bahia de Capoeira
Rádio Capoeira
O encontro reafirma a capoeira como território de saber, resistência e educação, reforçando a necessidade de políticas públicas que reconheçam e valorizem os mestres e mestras que mantêm viva essa tradição fundamental da cultura brasileira.





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