O líder religioso por trás do réveillon de Copacabana
- Pai Marcelo de Xangô

- 31 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O réveillon de Copacabana, reconhecido pelo Guinness Book como o maior do mundo, é hoje um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro e um dos eventos turísticos mais importantes do país. Milhões de pessoas, vestidas de branco, ocupam a orla, jogam flores ao mar e pulam sete ondas na virada do ano. O que poucos sabem é que essa tradição nasceu da iniciativa de um líder religioso que, há mais de meio século, lutou contra a intolerância e ajudou a moldar a identidade cultural da cidade.
Nos anos 1950, Tancredo da Silva Pinto — conhecido como Tata Ti Inkice — fundou a Federação Espírita de Umbanda com um objetivo claro: combater o preconceito histórico contra as religiões de matriz africana. Em vez de manter os rituais restritos aos terreiros, sua estratégia foi torná-los visíveis, públicos e compreensíveis para a sociedade.
Foi nesse contexto que Tata Tancredo reuniu casas e terreiros para celebrar Iemanjá na noite de 31 de dezembro, em Copacabana. Vestidos de branco, ao som dos atabaques, fiéis e simpatizantes passaram a ocupar trechos da areia para preparar oferendas à orixá das águas grandes, considerada a dona de todas as cabeças.
Com o passar dos anos, o ritual foi se incorporando à paisagem carioca. O que começou como um ato de afirmação religiosa e cultural ultrapassou os limites dos terreiros, ganhou adesão popular e passou a atrair pessoas de diferentes crenças, origens e nacionalidades. A celebração se transformou em um grande evento coletivo, mantendo elementos simbólicos que atravessaram gerações.
Hoje, a festa movimenta a economia da cidade, gera milhares de empregos temporários e reforça a imagem do Rio como destino turístico internacional. Ainda assim, a origem religiosa e o papel central de Tata Tancredo permanecem pouco conhecidos do grande público.
Diante da dimensão que o réveillon de Copacabana alcançou, cresce a defesa de um reconhecimento público à altura de sua história. Para muitos, Tancredo da Silva Pinto merece uma homenagem permanente na orla que ajudou a transformar, como forma de preservar a memória de quem enfrentou o preconceito e deixou um legado cultural que pertence ao Rio, ao Brasil e ao mundo.
Religiosos e simpatizantes pedem estátua de Tata Tancredo na praia

Apesar da tradição religiosa, o nome de Tata Tancredo não costuma ser lembrado nos festejos oficiais de réveillon da cidade. O gestor ambiental Emanuel Alencar, que também participa da mobilização nas redes pela homenagem, disse, em postagem, que a construção da estátua seria uma forma de reconhecer a participação dos umbandistas na criação do que se tornou um dos principais atrativos turísticos da cidade.
“Se hoje a festa é essa apoteose, foi porque um dia, mais de meio século atrás, ele a inventou. E literalmente todo mundo precisa saber disso, para reverenciar um personagem tão essencial”, escreveu Emanuel nas redes. Até esta quarta (31), a Prefeitura do Rio ainda não havia se manifestado sobre os pedidos de homenagem a Tata Tancredo.





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