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RODA DE CONVERSA NA UnB DEBATE RECONHECIMENTO SO NOTÓRIO SABER DE MESTRES E MESTRAS DE CAPOEIRA


No último dia 5 de março, a Sala Jongo (110C), localizada no prédio da Finatec/UnB (Universidade de Brasília), foi palco de uma importante mobilização em defesa da capoeira, reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro. O encontro reuniu mestres, pesquisadores, gestores culturais e integrantes da comunidade capoeirista para a Roda de Conversa sobre o Reconhecimento do Notório Saber dos Mestres e Mestras de Capoeira.

O evento teve como objetivo central discutir e propor políticas públicas que assegurem o reconhecimento institucional dos saberes transmitidos pelos mestres e mestras de capoeira ao longo de gerações. A iniciativa busca criar caminhos para que esses guardiões de conhecimentos ancestrais possam atuar formalmente em espaços de ensino, como escolas e universidades, sem que a ausência de titulação acadêmica tradicional seja uma barreira.


Educação, Cultura e Justiça Histórica

Durante o debate, foi ressaltado que o título de Notório Saber pode funcionar como uma ponte entre a tradição oral da capoeira e o sistema educacional formal. A proposta contribui para o enfrentamento do racismo institucional, ao mesmo tempo em que fortalece a implementação de legislações importantes, como a Lei 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras.

Ao reconhecer oficialmente o conhecimento produzido nos terreiros, nas rodas e nos espaços comunitários, abre-se espaço para uma educação mais plural, inclusiva e conectada com as matrizes culturais do país.


Metodologia e participação

A roda de conversa contou com a presença de três expositores especialistas, entre mestres de referência da capoeira e gestores de políticas públicas, além de um mediador responsável por conduzir o diálogo com o público presente. O formato permitiu uma troca direta de experiências, reflexões e propostas entre participantes da comunidade capoeirista e representantes ligados à formulação de políticas culturais e educacionais.

A expectativa dos organizadores é que o encontro fortaleça a articulação entre a capoeira e as instituições públicas, ampliando o reconhecimento e a valorização dos mestres e mestras como educadores e produtores de conhecimento.

Reconhecer o Notório Saber é validar que a universidade da vida, do terreiro e da roda produz ciência e pedagogia tão legítimas quanto as dos livros”, afirmou Mestre Paulão Kikongo, um dos proponentes da atividade.


Realização

A iniciativa foi realizada por uma ampla rede de organizações comprometidas com a valorização da capoeira e da cultura afro-brasileira, entre elas:

  • Pontão de Cultura UBUNTU

  • Kilombarte

  • Museu Vivo de Arte e Cultura da Capoeira

  • Universidade da Capoeira

  • Federação Maranhense de Capoeira

  • Coletivo Cultural A Capoeira na Escola

  • Instituto Cultural Minas Bahia de Capoeira

  • Rádio Capoeira


O encontro reafirma a capoeira como território de saber, resistência e educação, reforçando a necessidade de políticas públicas que reconheçam e valorizem os mestres e mestras que mantêm viva essa tradição fundamental da cultura brasileira.

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